Deus nos quer por perto.

Eis que Você acorda pela manhã e não tem vontade alguma de sair da cama e não, não é porque é final de semana ou feriado, não é porque está aquela chuvinha calma do lado de fora como uma canção suave que embala o sono e também não, não é porque não há compromisso algum pra  resolver naquele dia, bem pelo contrário.
Na verdade, existe um peso tão grande  sobre as costas, cobranças, tristeza extrema, cansaço físico e mental, conflitos familiares, solidão e, a luz no fim do túnel que sempre aparece para todo mundo parece que entrou em férias e está longe de se revelar.
Logo abaixo descrevemos uma breve sugestão para que se possa mudar essa história.
Uma pequena mudança de atitude pode resultar em uma grande transformação de vida!

Então Davi se retirou dali, e escapou para a caverna de Adulão; e ouviram-no seus irmãos e toda a casa de seu pai, e desceram ali para ter com ele.
E ajuntou-se a ele todo o homem que se achava em aperto, e todo o homem endividado, e todo o homem de espírito desgostoso, e ele se fez capitão deles; e eram com ele uns quatrocentos homens. 1 Samuel 22:1,2

O cenário aqui é claro: Um homem que venceu o gigante, derrotou inimigos, tornou-se conhecido em sua terra pela sua coragem e intimidade com Deus, agora estava com medo da morte, foge e se esconde.
No versículo 11 do capítulo 22 lemos o seguinte: “Não é ele por quem dançavam, e nos cantos diziam: Saul matou a milhares e Davi a dez milhares?”
Cadê a coragem? Onde está o homem forte e destemido? Onde está o homem que fala com Deus e Deus o ouve?
O que ninguém sabia era que Davi estava explodindo por dentro mas, como sempre, o mundo sempre vai julgar primeiro sem sequer se permitir saber como o outro está.

EXPLODINDO POR DENDTRO

As dores existem e todos os homens já as sentiram. As fisionomias entregam os sentimentos sendo eles bons ou ruins.
Dores por causa de feridas físicas e aparentes são compreensíveis e julgadas como normais, já que os olhos, ao identificarem a causa da dor pela ferida aberta entende aquilo como normal.
Porém, o que os olhos não veem são as dores da alma, aquelas que são invisíveis, que se movem dentro do peito, que nos transportam separadamente a mente do corpo, que nos trazem o olhar distante ansiosos pela solução positiva.

Além de Davi, poderíamos trazer para este mesmo lugar outras pessoas que Deus escolheu para fazer a diferença em seu meio e em seu tempo, pessoas que transformaram situações, pessoas que se tornaram responsáveis por pessoas mas que, em um determinado momento sentiram-se tão pressionadas pelas circunstâncias que expuseram suas fraquezas.
Vou citar duas delas: Moisés e Elias.

MOISÉS
No livro de números 11:10,15 lemos: Então Moisés ouviu chorar o povo pelas suas famílias, cada qual à porta da sua tenda; e a ira do Senhor grandemente se acendeu, e pareceu mal aos olhos de Moisés.
E disse Moisés ao Senhor: Por que fizeste mal a teu servo, e por que não achei graça aos teus olhos, visto que puseste sobre mim o cargo de todo este povo?

Concebi eu porventura todo este povo? Dei-o eu à luz? Para que me dissesses: leva-o ao teu colo, como a ama leva a criança que mama, à terra que juraste a seus pais?
De onde teria eu carne para dar a todo este povo? Porquanto contra mim choram, dizendo: Dá-nos carne a comer;
Eu só não posso levar a todo este povo, porque muito pesado é para mim.
E se assim fazes comigo, mata-me, peço-te, se tenho achado graça aos teus olhos, e não me deixes ver o meu mal.

Podemos ver claramente a dor de Moisés através de suas palavras, o seu mal humor era extremamente visível e o cansaço em sua vida era tão grande que ele mesmo prefere a morte.
Ele reclama com Deus que, sozinho é impossível prosseguir, sentia-se só em meio a uma multidão de pessoas.
É a sobrecarga, o peso da responsabilidade, o excesso sobre seus ombros, são as vozes intermináveis de cobrança em sua cabeça.

ELIAS
E Acabe fez saber a Jezabel tudo quanto Elias havia feito, e como totalmente matara todos os profetas à espada.
 Então Jezabel mandou um mensageiro a Elias, a dizer-lhe: Assim me façam os deuses, e outro tanto, se decerto amanhã a estas horas não puser a tua vida como a de um deles.
O que vendo ele, se levantou e, para escapar com vida, se foi, e chegando a Berseba, que é de Judá, deixou ali o seu servo.
Ele, porém, foi ao deserto, caminho de um dia, e foi sentar-se debaixo de um zimbro; e pediu para si a morte, e disse: Já basta, ó Senhor; toma agora a minha vida, pois não sou melhor do que meus pais. 1 Reis 19:1-4

Após derrotar os 450 profetas de baal de uma forma extraordinária, deixando claro a toda uma nação quem verdadeiramente era o Deus verdadeiro, forte e poderoso, Elias sofre perseguição de Jezabel e o cansaço extremo, acompanhado de uma depressão também extrema,  o faz isola-se no deserto, também desejando a morte.

ISSO TEM CURA?

Se isso tem cura, a ansiedade nos pressiona a perguntar o quando vai passar…
Então, de imediato, o que vem em minha mente é: Se estes homens que tinham uma linha direta com Deus também passaram por isso, o que eu, simples mortal, posso fazer para mudar minha vida e tirar esse peso sobre os ombros que chegaram a me fazer as vezes até desejar a morte?
Se eles passaram por isso, segundo o meu fraco pensamento, é óbvio que um ser humano comum jamais conseguirá vencer as dores deste mundo, os conflitos internos, dívidas, conflitos familiares, etc…
porém, em todo tempo pensamos na receita para a felicidade, o passo a passo daquilo que pode dar certo.

A RECEITA
Talvez a receita seja lembrar do que prometeu lá no início da criação após a queda brutal do homem e sua expulsão do jardim!
No princípio de tudo, criou Deus os céus e a terra e ela estava sem forma e vazia e a escuridão estava sobre a face do abismo. E o Espírito de Deus movia-se sobre a face das águas. Gn1:1,2

Note que Deus, pela sua palavra criou todas as coisas e cada elemento passaria a gerar vida e a reproduzir.  A terra daria a erva a qual daria semente e haveria a multiplicação de vida assim como os animais se reproduziriam, assim como as águas produziriam os peixes e se multiplicariam sobremaneira e as aves, da mesma forma.
Porém, como já lemos tantas vezes, quando chegou a vez de sua maior criação, o homem, Ele mesmo a fez, não deixou por conta da natureza e, com suas próprias mãos o fez e com sopro trouxe à vida.

Com tudo isso, mesmo  homem vivendo em um lugar único, protegido, onde o próprio Deus vinha todas os dias ter com ele para falar, ouvir e ensinar-lhe todas as coisas, não foi o suficiente para que o homem se mantivesse fiel e, a queda tornou-se real na vida do primeiro casal, Adão e Eva.
Com o pecado não veio somente a expulsão do Eden mas também o suor literal produzido pelo esforço do trabalho, as tristezas deste mundo, as doenças, as angústias, as decepções, as lutas diárias pela sobrevivência, os medos de tantas coisas…

E AGORA?

Sempre que erramos exageradamente, nos perguntamos: E agora, o que vou fazer? O que vou fazer da minha vida, como se tudo tivesse acabado em definitivo e nada mais tivesse solução?
Será que somos capazes de pensar em algo mais grave e sem solução do que perder a presença de Deus e ser expulso do lugar de refúgio e segurança onde Ele havia preparado com tanto amor somente e exclusivamente para o homem, afinal era com o homem que Ele conversava , era pelo homem que Ele vinha todos os dias e agora tudo havia se perdido por causa de um erro grave do homem.

A DOLOROSA SOLUÇÃO

Havia sim uma solução, mas ia doer! Ia doer bastante. Deverá haver um sacrifício em definitivo, mas não poderia ser um sacrifício qualquer. Já que pelo homem entrou o pecado, através dele o pecado sairia. Mas quem se habilitaria a tal feito?
Adão, o homem manchado? Não, é obvio que não. O sacrifício viria de Deus, através de seu filho Jesus que se faria homem e, no meu entendimento, o homem deveria estar lá para ver, e também de uma certa forma participar, pois, se era pelo homem que Deus vinha todos os dias no jardim, foi pelo homem que Jesus veio à Terra.

OS OMBROS DO HOMEM COMUM
Lc 23:26: E, como o conduzissem, constrangendo um Cirineu, chamado Simão, que vinha do campo, puseram-lhe a cruz sobre os ombros para que a levasse após Jesus.

Vejo eu, claramente aqui que, já que o homem errou feio, nada mais justo que ele mesmo possa dar uma “ajudinha” e carregar a cruz pesada, experimentar um pouco dela nos ombros, como quem carrega o altar do sacrifício que, através do qual, o cordeiro santo, perfeito sem manchas, será morto.

Era um homem aleatório que estava ali “só olhando” e, de repente alguém o vê e o chama e põe em seus ombros uma cruz pesadíssima.
Ele representava ali cada um de nós, homens pecadores enquanto Cristo, ali do lado era o Deus filho em pessoa que fora prometido lá no Eden para que a noiva fosse purificada.
Carregar nos ombros se torna necessário, pois implica em estar tão perto ao ponto de se tornar impossível não ver o que precisa ser feito para corrigir um grave erro. É sentir a dor física, é ver o sangue escorrendo, é entender o amor impossível para um homem comum porém , não para Deus!
Podemos fazer uma comparação entre a cruz e a arca da aliança.
Quando Davi resolve transportar a arca da aliança da casa de Abinadame que a guardava há 20 anos, houve um acidente envolvendo  Uzá que, ao tocar na arca durante o caminho, após um tropeço dos bois e para evitar que a arca caísse, ele morre imediatamente.
A arca não era algo que pudesse ser transportada em carros de bois, era a presença de Deus que deveria ser carregada nos ombros.
Assim como Simão Cirineu foi escolhido para carregar a cruz de Cristo, Obede Edom foi escolhido para guardar a arca. O por que de Obede Edom ser escolhido para receber a arca e com ela as bênçãos de Deus eu, sinceramente não sei, mas ele foi agraciado com isso e pronto.
Era a própria presença de Deus entrando em sua casa trazendo bençãos tal que Obede Edom nem imaginava.
A partir do momento em que o rei Davi entende como se deve transportar a presença de Deus, tudo começa a funcionar.
Carregar a arca nos ombros ou carregar a cruz de Cristo nos ombros.
Não importa a forma que parece, as duas situações nos trarão bençãos sem medida.
A arca, linda, imponente, valiosíssima, entra na casa de um homem e o anençoas, enquanto a cruz de cristo, pesada, causadora de dores extremas, difícil de se carregar, e, no seu destino, não necessariamente no Gólgota mas, diante da face do mal, demonstra um amor de pai pra filho, de Deus para a sua criação que não há mal que possa suportar ao sangue derramado do cordeiro de Deus.
Era o homem sendo resgatado, eram as cavernas sendo tratadas.

O SACRIFÍCIO É JESUS
Simão Cirineu, o improvável, ajudou Cristo a carregar a cruz, mas não foi ele o sacrificado, a ideia não era essa.
Quando leio essa passagem imediatamente me pergunto: Onde estavam seus discípulos, sendo que, se eu mesmo estivesse lá, talvez também tivesse fugido com medo das consequências por ter servido e seguido a Jesus.
Porém, penso eu que as vezes o próprio Deus tem o desejo de forjar os seus filhos e tiram de perto aqueles que poderiam fazer para que eles mesmos sejam obrigados a fazer, a carregar as cruzes da vida, diga-se de passagem, sempre pesadas.
Mas, o sacrifício já aconteceu e o que Ele pede é que as vezes e somente as vezes lembremos de carregar a cruz nos ombros, não nos carros de boi, para o próprio fortalecimento.
Jesus certa vez disse: Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo. João 16:33

SAINDO DA CAVERNA

Se estivermos tão angustiados, entristecidos, amargurados, em dificuldades financeiras ao ponto de querermos correr e se esconder em uma caverna da vida, não há problema algum nessa decisão.
Porém,  a forma como sairmos dela é que vai determinar nossas vitórias ou derrotas a partir dali.
Com o passar do tempo o grupo de 400 homens que entraram na caverna de Adulão para seu próprio refúgio, tornou-se um exercito de elite, conhecido como os “valentes de Davi”, dos quais saiu um grupo seleto de 30 homens valentes.
A cruz não se carrega em carros de boi, tampouco a arca da aliança, não se terceiriza. Os ombros e coração são os únicos lugares aceitáveis para tal, isso é inegociável para quem deseja transformação total e conversão absoluta dos caminhos e ações anteriores.
Cavernas não são o fim, mas refúgios para quem um dia sentiu em si mesmo o próprio Deus, mas, por um breve momento sentiu medo.
Lembremos do que nosso amigo Paulo falou: “Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente. 2 Cor 4:17

Autor: Pr Luiz