O filho pródigo.

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Texto: Lucas 15:11-13-  E disse:  Um certo homem tinha dois filhos; 12 E o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me pertence. E ele repartiu por eles a fazenda. 13 E, poucos dias depois, o filho mais novo, ajuntando tudo, partiu para uma terra longínqua, e ali desperdiçou os seus bens, vivendo dissolutamente.

Início: Na cultura judaica da época de Jesus, a família era baseada no formato patriarcal. O pai possuía uma imagem muito forte na sociedade. O pai judeu era a figura do pai dono da fazenda, do pai patrão, aquele pai que é senhor da família, todas as u8 giravam em torno dele.

Nenhum dos filhos ousaria questionar sua autoridade, sob pena de ser deserdado, banido do seio familiar e de suas heranças. Além de ser mal visto por toda comunidade vizinha.

Jesus em seus ensinamentos, apresentava Deus como o pai celestial. Isso ia de encontro à imagem do pai “severo” da cultura judaica, pois Jesus tratava com amor todos pecadores.

“E Chegavam-se a ele todos os publicanos e pecadores para o ouvir. E os fariseus e os escribas murmuravam, dizendo: Este recebe pecadores, e come com eles.” 

Lucas 15:1-2

Observando todo capítulo 15 de Lucas, vemos que em resposta a estas murmurações, O mestre começa a contar uma série de parábolas que descrevem o caráter de Deus como o nosso “pai celeste” Até chegar a parábola do Filho Pródigo Jesus conta a Parábola da Ovelha Perdida e também dá Dracma Perdida, falando sobre as realidades do Reino dos Céus.

Coragem: A característica, que o filho pródigo apresenta, aparentemente é uma atitude corajosa, afinal agora ele quer ser o dono de sua vida, dono de seu destino.

Ele quer ter o poder de decidir o que fazer com sua vida, da forma que lhe agradar, da maneira que lhe convier. Quer decidir com quem sair, onde ir, a que horas voltar e se voltar pra casa. É o tipo “eu sou dono do meu nariz e faço o que quero com minha vida”.

Muitas pessoas agem da mesma maneira, maridos e ou esposas que largam o casamento, e passam a viver sua “próprias vidas”, e supostamente querem recuperar o “tempo perdido”. Literalmente “chutam o balde”, partindo em busca de prazer, sem ao mesmo se preocuparem de perguntar qual é a vontade do Pai.

Fugir: A segunda característica desse filho pródigo é a tentativa de se afastar ao máximo, para um lugar onde os ecos da voz do pai não pudessem constranger o seu modo de viver dissoluto. Talvez a figura do Pai representava algo negativo pra ele.

E assim o filho pródigo vai de prazer em prazer, de farra em farra, de prostituta a prostituta, de motel em motel, de bebedeira em bebedeira. Gastando e consumindo tudo o que tem, e que o Pai de bom grado lhe tinha dado, procurando mais prazer, no culto ao corpo, no culto de si mesmo.

Na procura de uma felicidade, uma satisfação de seus próprios instintos, cada vez mais se afunda nas obras da carne, para preencher o vazio da sua alma(Sl. 42:7 Um abismo chama outro abismo, ao ruído das tuas cachoeiras; todas as tuas ondas e as tuas vagas têm passado sobre mim).

Porém há limites para o prazer humano. Há limites para o prazer carnal. Uma vida de culto ao corpo e ao prazer nunca poderá trazer a verdadeira felicidade. A bíblia diz que a iniquidade de Sodoma e Gomorra chegou a tal ponto que Deus não pode suportar( Gn. 18:20 Disse mais o SENHOR: Porquanto o clamor de Sodoma e Gomorra se tem multiplicado, e porquanto o seu pecado se tem agravado muito). Tal foi a sua degradação física e moral, que ele gastou tudo o que ele tinha e aí em um país distante, teve que se submeter a coisas impensáveis, para poder sobreviver.

Acabou cuidando de porcos, desejando se alimentar da comida dos porcos, porém ninguém lhe dava nada! Assim também acontece com todos aqueles que renunciam a paternidade Deus e se afastam da sua presença. Assim é o mundo, não se enganem!

Atitude: E a salvação do filho pródigo passa também pelo reconhecimento de sua condição.Temos que entender de uma vez por todas, que Deus é misericordioso e compassivo, mais quando é fechada a porta da graça, abre-se a porta do juízo(Hb 10:31 Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo).

Vejam que Jesus narra que este filho pródigo “cai em si (Lc. 15:18 Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai, e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e perante ti; 19 Já não sou digno de ser chamado teu filho; faze-me como um dos teus empregados. Ele pensa “o que eu estou fazendo aqui meu Deus?”. Ele volta ao “eixo” da vida. Para que isto aconteça é necessário muita “Humilhação”, é se arrepender e pedir perdão.

E este “cair em si” é algo que satanás tenta de todas as formas evitar que aconteça com o ser humano. Ele cega o entendimento dos homens (2 Coríntios 4:4 Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus), para que eles continuem respondendo somente aos desejos da sua alma e corpo, e para que as escamas espirituais dos seus olhos, continuem os cegando espiritualmente.

Mas chegou um momento que ele analisou a sua condição e teve um discernimento, talvez com o resto de humildade que achou dentro da sua alma (Lc. 15:17″E, tornando em si, disse: Quantos empregados de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome!)”. Aquele jovem caiu em si, mas já pessoas de tão orgulhosas que quando caem em si, caem do lado.

Mais adiante, vemos pelo texto que todo o processo do perdão, começa no pai. O pai quando viu o filho ainda longe, correu ao encontro do filho pródigo e o beijou! Que coisa linda!

“E, levantando-se, foi para seu pai; e, quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou”. Lucas 15:20

Assim, Jesus mostra através desta parábola uma imagem diferente da cultura do pai oriental, autoritário e ditador. Aqui ele aponta para um pai misericordioso, um pai de amor. Um pai que oferece perdão sem pedir nada em troca. Veja que o filho pródigo tinha em mente uma confissão “dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e perante ti…”. Mas o pai foi movido de íntima compaixão, que é participação na infelicidade alheia que suscita um impulso de amor e de ternura para com o sofredor, é ter empatia, sentir um pouco do que a pessoa está sentindo, é levar o amor ao nível HARD de ser, ao extremo, a condição sobrenatural, o pai interrompe o discurso sincero daquele filho, para lhe demonstrar o seu caráter amoroso e perdoador. Assim é o coração do nosso Pai.

O filho não consegue dizer a parte do”torna me como um dos teus empregados”.

Ou seja, o pai está dizendo, “deixa disso meu filho, tu és meu filho, eu sou o teu pai, tudo está perdoado”.

E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e perante ti, e já não sou digno de ser chamado teu filho.” Lucas 15:21

Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa; e vesti-lho, e ponde-lhe um anel na mão, e alparcas nos pés;” Lucas 15:22

Conclusão: Este pai que Jesus apresenta é um pai que vira a mesa por seu filho, que que tá toda a cultura que imperava na época, que quebra todas as regras legais e morais, por amor do seu filho! Um pai que se move de íntima compaixão pelo seu filho perdido é a contra-cultura do pai que os fariseus pregavam.

Aquele filho não tinha dado nenhum valor aquilo que o seu Pai tinha conquistado com esforço e dedicação, ele gastou tudo o que o Pai tinha lhe dado como herança, mais o amor do Pai não estava condicionado ao que o filho tinha feito e sim ao seu grande amor pelo seu filho(Jo. 3:16 – Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna). Ele nos amou e pronto, nos oferecendo em sacrifício o seu amado filho Yeshua Hamashia, para que nós fossemos resgatados da maldição da Lei. Qual tem sido a tua resposta, ao ser confrontado com a intensidade desse Amor? Amém