A mente que vence.

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Introdução

Primeiramente, precisamos conhecer o nosso inimigo e compreender como ele age.

Talvez tenhamos Satanás como o nosso maior inimigo ou talvez estejamos apenas subestimando sua força e, com isso, ele não precisa de muito esforço para nos vencer. Talvez estejamos em campo aberto, deixando o nosso muro baixo, sem uma sentinela durante o dia ou durante a noite. Precisamos estar atentos!

O dardo do engano

Minha mãe sempre me disse que a mentira tem perna curta! Mas o engano não. O engano tem perna longa!

Ele caminha devagar, entra sorrateiramente, encontra espaço na mente e, quando percebemos, já transformou uma dúvida em uma crença, uma crença em uma atitude e uma atitude em uma experiência.

Texto-base – 2 Coríntios 11:2-3 | NVI

² Pois a dedicação que tenho por vocês provém de Deus. Eu os prometi a um único marido, Cristo, querendo apresentá-los a ele como uma virgem pura.

³ O que receio e quero evitar é que, como Eva foi enganada pela astúcia da serpente, assim a mente de vocês seja corrompida e se desvie da sincera e pura devoção que vocês têm por Cristo.

Desenvolvimento

Quando Paulo se refere à serpente, ele nos faz lembrar daquele que enganou Eva e que continua sendo nosso inimigo nos dias atuais. O texto de Gênesis 3 deixa claro que a serpente não apareceu simplesmente apresentando uma mentira evidente. Ela apareceu com uma meia verdade, uma dúvida, um questionamento, uma crítica aparentemente inocente.

Gênesis 3:1-6

É assim que o engano trabalha. Ele não precisa chegar dizendo: “Abandone a Deus!” Às vezes, ele chega perguntando:

“Será que foi isso mesmo que Deus disse?” “Será que Deus realmente quis dizer isso?” “Será que você está entendendo corretamente?” “Será que Deus não poderia ter feito diferente?” E uma pequena dúvida pode abrir uma grande porta.

O sofisma e o engano

A palavra sofisma está relacionada a um argumento que aparenta ser lógico e verdadeiro, mas que, na realidade, conduz ao erro.

É uma construção de pensamento que pode apresentar uma aparência de verdade, mas que possui uma conclusão enganosa.

No jardim, o engano entrou justamente por meio de uma conversa.

A serpente não precisou obrigar Eva a fazer o que era errado. Ela apresentou uma narrativa. Questionou. Semeou dúvida. E levou Eva a olhar para aquilo que Deus havia dito por outra perspectiva.

O engano entrou trazendo uma dúvida sobre a identidade, sobre a criação e sobre aquilo que Deus havia estabelecido.

A tentação era fazer com que Adão e Eva desejassem ser como Deus, não pela dependência e comunhão com Ele, mas pela independência de Deus.

E aqui existe algo muito sério:

Quando começamos a olhar para Deus a partir da narrativa do inimigo, e não a partir da Palavra de Deus, nossa percepção começa a mudar.

O campo de batalha está na mente

Não é difícil, no dia a dia,  em nosso ambiente de trabalho, em nossa casa ou até mesmo dentro da igreja e sermos atravessados por aquilo que, como se diz atualmente, pode ser chamado de pensamento intrusivo.

Na psicologia, pensamentos intrusivos são pensamentos ou imagens que surgem involuntariamente e podem provocar desconforto, medo, culpa, dúvida ou insegurança. Mas precisamos compreender uma coisa:

Nem todo pensamento que passa pela nossa mente representa aquilo que somos ou aquilo que devemos aceitar.

O problema não está simplesmente em um pensamento surgir. O perigo está em alimentá-lo, acolhê-lo, transformá-lo em verdade e permitir que ele governe nossas atitudes.

Os dardos inflamados do inimigo

É assim que funcionam os dardos inflamados do inimigo. Eles têm como objetivo atingir a nossa mente e, consequentemente, nos afastar do propósito para o qual Deus nos criou.

O engano não acontece, necessariamente, de um dia para o outro. Ele pega uma narrativa, transforma, modifica, acrescenta uma interpretação, busca outro ponto de vista, encontra um ponto de discórdia e começa a construir uma nova história dentro da nossa mente. Satanás continua sendo o pai da mentira, mas o engano produz uma crença; e uma crença pode produzir uma vivência. Eva vivenciou a queda depois de acreditar no discurso da serpente. Veja como tudo pode começar com uma narrativa.

Pense na criação:

Deus verbalizou. A Palavra de Deus trouxe à existência aquilo que não existia.

E, para nós, que cremos na Palavra de Deus, existe algo ainda mais profundo: a Palavra se fez carne em Cristo.

Por isso, aquilo que acreditamos importa. Aquilo que alimentamos na mente acessa nosso coração.

Quando a visão muda

Satanás conseguiu introduzir o pecado, a separação e a divisão entre Deus e Sua criação.

Os olhos de Adão e Eva passaram a enxergar de uma maneira diferente. Antes, havia uma visão orientada pela comunhão e pela Palavra de Deus. Depois da queda, passaram a experimentar uma percepção marcada pelo bem e pelo mal, pela vergonha e pelo medo.

O pecado trouxe uma ruptura. E o que é divisão? É criar dois caminhos. É criar duas ideias incompatíveis.

É fazer aquilo que era claro parecer confuso. É apresentar uma nova visão que conduz para longe da vontade de Deus.

Essa é uma das obras do engano.

  Por isso:

Rejeite toda narrativa que promova divisão. Repreenda todo dardo inflamado do maligno. Não permita que uma dúvida plantada pelo inimigo se transforme em uma fortaleza dentro da sua mente. O dardo do engano também pode produzir insatisfação. A sensação de que aquilo que Deus tem nos dado não é suficiente ou que Deus está errando conosco. Como se Deus estivesse nos privando de alguma coisa. Como se Ele não quisesse compartilhar conosco aquilo que é bom. Mas é justamente o contrário! O inimigo tenta fazer com que olhemos para aquilo que não temos e nos esqueçamos de tudo aquilo que Deus já nos deu.

Foi assim no jardim.

Eva tinha acesso a tantas coisas, mas o inimigo conseguiu fazer com que ela concentrasse seus olhos justamente naquilo que Deus havia determinado que não tocasse.

O engano muda o foco.

Ele faz você questionar a bondade de Deus. Ele faz você desconfiar daquele que sempre foi fiel. Esse dardo entra pela mente, alcança o coração, acessa as emoções e tenta nos tirar daquele que é o caminho, a verdade e a vida.

Conclusão

Como vencer os dardos inflamados?

Jeremias 17:9-10 | NVI

⁹ O coração é mais enganoso que qualquer outra coisa, e a sua doença é incurável. Quem é capaz de compreendê-lo?

¹⁰ “Eu sou o Senhor que sonda o coração e examina a mente, para recompensar cada um de acordo com a sua conduta, de acordo com as suas obras.”

Existe uma batalha que acontece dentro de nós.

Precisamos pedir ao Senhor discernimento.

O escudo da fé

A fé apaga os dardos inflamados do inimigo. Por isso, apague os dardos que o inimigo lança. Guarde o seu coração.

Não entre na rota do questionamento sobre a bondade de Deus. Não entre no cativeiro da dúvida.

Não permita que o inimigo transforme uma pergunta em uma fortaleza. Porque Deus tem pensamentos de paz e não de mal a nosso respeito.

Efésios 6:16 | NVI

¹⁶ Além disso, usem o escudo da fé, com o qual vocês poderão apagar todas as setas inflamadas do Maligno.

  O escudo não foi dado ao soldado para ficar guardado.

Escudo foi feito para ser levantado!

E aqui está uma palavra para nós:

Não basta ter fé. É preciso empunhar o escudo da fé.

Não adianta possuir uma arma e deixá-la no chão.

Não adianta saber que Deus é fiel e, na hora da batalha, acreditar na voz do inimigo.

Precisamos levantar o escudo.

Não baixe a guarda

Na imagem do soldado romano, o escudo era um equipamento essencial para a proteção.

Em determinados períodos, escudos revestidos de couro precisavam ser cuidados para permanecerem em boas condições.

E aqui existe uma aplicação poderosa para nós:

Quando não estamos em guerra, continuamos preparando o escudo.

Quando tudo está tranquilo, continuamos orando. Quando tudo está bem, continuamos buscando.

Quando não estamos enfrentando uma batalha evidente, continuamos fortalecendo nossa fé.

Não espere a guerra começar para procurar o escudo.

Talvez você esteja vivendo um período de refrigério. Talvez as coisas estejam tranquilas.

Talvez você esteja dizendo: “Está tudo bem.” Então prepare-se.

É tempo de fortalecer o escudo.

Não baixe a guarda! Porque o nosso inimigo não é carne e sangue. A carta de Paulo aos Efésios nos lembra que a nossa luta é contra principados, potestades e forças espirituais. Por isso, precisamos estar preparados e nos munir de toda armadura de Deus.

2 Coríntios 10:4-5 | ACF

⁴ Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus para destruição das fortalezas;

⁵ Destruindo argumentos, e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo o entendimento à obediência de Cristo.

Autora: Fran